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terça-feira, 8 de agosto de 2017

Terapia contra as compras compulsivas por Livros


"Depois de passar há uns meses por uma terrível crise das prateleiras, e logo depois atravessar uma crise bem pior ao encaixotar toda minha biblioteca por causa da mudança, pousei em Barcelona no comecinho de setembro com o firme propósito de voltar a utilizar a rede de bibliotecas públicas da cidade. Fazia, pelo menos, sete ou oito anos que eu não utilizava a carteirinha, mais que os três anos que morei no Brasil, pois depois de uma primeira fase de uso intensivo das bibliotecas, eu tinha virado um CCL (um Comprador Compulsivo de Livros), uma das espécies mais perigosas e letais de MCC (Monstros Consumistas Culturais).

Preparei minha volta às bibliotecas públicas fazendo uma lavagem cerebral, segundo a qual o importante não era ser um CCL, mas um LCL (um Leitor Compulsivo de Livros). Felizmente, e contra todo prognóstico, minha carteirinha ainda funcionava, então comecei a passear entre as prateleiras da biblioteca mais próxima de minha casa na procura dos livros que levaria. Nessa primeira visita, da qual trouxe o maravilhoso Tirana memoria, do escritor salvadorenho Horacio Castellanos Moya, um dos escritores mais interessantes da atualidade, e nas seguintes, uma vez ativada a rotina de ir à biblioteca para devolver os livros e levar novos, acabei criando uma terapia que talvez seja útil para quem, devido a motivos econômicos, amorosos, psicológicos ou de espaço nas prateleiras, precisa abandonar sua condição de CCL e entrar no mais saudável mundo dos LCL.

É o que eu chamo da “terapia jotapê contra o vício do Consumo Compulsivo de Livros”. Se você foi diagnosticado com essa doença (e se já superou a fase de negação), pode usar as seguintes sugestões. Eu garanto resultados em menos de três visitas à biblioteca pública.

1. “Todos esses livros são meus”. Esse pensamento é a base de toda a terapia. Se você não consegue acreditar verdadeiramente nele será impossível abandonar a compulsão do consumo. Tente o seguinte: passear entre os corredores da biblioteca imaginando que você está em casa e que pode pegar qualquer livro que quiser e ler. Enquanto passeia, repita mentalmente, uma vez e outra, como se fosse um mantra: “todos esses livros são meus, todos esses livros são meus, todos esses livros são meus”. Você acha que sou maluco? Nada mais longe disso: você realmente pode pegar qualquer livro e ler, a biblioteca é pública, é de todos, o que quer dizer, a efeitos práticos, que todos esses livros são meus e de todo mundo.

1.1. Muito importante: não diga que todos os livros são seus em voz alta, ninguém quer acabar no hospital psiquiátrico (onde, aliás, entre outros muitos inconvenientes, não há boas bibliotecas).

2. Leve sempre mais de um livro para casa. Se a biblioteca permite levar três livros, leve três. Se cinco, cinco. Siga a seguinte regra: levar um livro que você quer muito ler, mas muito, muito mesmo (e que, de fato, você vai ler); leve outro(s) livro(s) que você acha que gostaria de ler (aqueles livros que alguém recomendou ou que receberam boas críticas); e leve sempre, no mínimo, um livro de um grandíssimo escritor, de um clássico universal ou de um autor de culto. Assim, você conseguirá reproduzir em casa o mesmo clima criado pelo Consumo Compulsivo de Livros sem consumir: você vai ler o livro que queria muito ler, você vai dar uma olhadinha no(s) livro(s) que você achava que ia gostar de ler (e provavelmente vai ler um deles, mas só provavelmente), e (importantíssimo) você vai sentir a culpa de não ler esse Proust ou Sófocles que estará atormentando você desde algum canto da casa.

3. Quando o demônio do Consumo atacar: PEGUE OS LIVROS E VOLTE PARA A BIBLIOTECA CORRENDO. E não esqueça, assim que estiver entre as prateleiras, repita mentalmente: “todos esses livros são meus, todos esses livros são meus”.

4. Faça alguma coisinha nos livros que você lê, sem estragar o livro, por favor. Sublinhe uma frase com lápis, dobre o canto de uma folha, “esqueça” um recibo ou um bilhete entre as páginas.

5. Se você se encontrar na biblioteca com algum amigo ou conhecido por casualidade, atue como se fosse o anfitrião, mostre o espaço, faça sugestões de leitura, dê dicas. Tenha cuidado de não utilizar a primeira pessoa nas explicações (ver ponto 1.1).

6. Passe intencionalmente pela prateleira da biblioteca onde fica algum dos livros que você leu. Faça de conta que foi uma casualidade, leia as lombadas dos livros vizinhos e quando chegar ao livro lido, sinta esse arrepio de felicidade: “esse eu já li”.

7. Se você está passando por uma crise de abstinência de consumo, pegue o livro lido (ver ponto 6) e dê uma folheada: o que você tiver feito nesse livro (ver ponto 4) incrementará a sensação de que esse livro, e todos os livros da biblioteca, é seu.

8. Aproveite para socializar. Se você descobrir uma pessoa com os dedos na lombada de um Gombrowicz, de um Sérgio Sant’Anna ou de um César Aira, o que você está esperando para puxar conversa!? Não é todo dia que você encontra um desconhecido interessante passeando entre as prateleiras da sua casa.

9. Como resultado de tudo o que foi exposto anteriormente, vire um UCB, um Usuário Compulsivo da Biblioteca.

Imagino que alguns leitores desta coluna estarão pensando: claro, você disse isso porque você está morando em Barcelona, onde as bibliotecas públicas são ótimas, e na América Latina não é bem assim etc. Mas isso é uma meia-verdade: eu, pelo menos, antes de estar viciado em CCL, usei muito as bibliotecas públicas do México e também a bibliotequinha de Sousas, em Campinas, onde meus filhos tinham carteirinha e a gente ia ler.

É verdade que as bibliotecas públicas do México e do Brasil poderiam ser bem melhores, mas o jeito mais eficaz de ajudar nessa melhora é justamente esse: utilizá-las. E se não tem uma boa biblioteca perto de casa ou do trabalho, não é hora de começar a se organizar para pedir uma à prefeitura da cidade?

Já dizia minha avó, que estava além das ideologias, mas era muito sábia: a felicidade é pública, a tristeza é privada."






domingo, 25 de junho de 2017

Devemos nos esforçar para ser como a lua


"Devemos nos esforçar para ser como a lua. 
Um ancião em Kabati sempre repetia essa frase para as pessoas que passavam
por sua casa para buscar água, caçar ou colher seiva nas palmeiras, e também
aos que caminhavam de volta a suas fazendas. Eu me lembro de ter perguntado
a minha avó o que o ancião queria dizer com aquilo.

Ela explicou que o ditado servia para lembrar as pessoas de se comportarem
sempre da melhor maneira possível e serem boas umas com as outras.
Ela disse que as pessoas reclamam quando o sol as castiga demais
e está intoleravelmente quente, e também quando chove demais ou está frio.

Mas ela falou, ninguém se queixa quando a lua brilha. Todos ficam felizes
e apreciam a lua, cada um a seu modo. 
As crianças brilham com suas sombras sob a luz da lua,
as pessoas se juntam para contar histórias e dançar noite adentro. 
Muitas coisas boas acontecem quando a lua brilha. 

Essas são algumas das razões pelas quais devemos desejar ser como a lua".

Do livro Muito Longe de casa - Memórias de um Menino-Soldado
de Ishmael Beah





terça-feira, 23 de maio de 2017

É possível ser mais leve?


Dias desses, buscando uma interessante e nova leitura, no site da Amazon, me deparei
com uma promoção no livro, Que ninguém nos ouça: Terapia Virtual entre duas mulheres,
de Cris Guerra e Leila Ferreira. Duas mulheres que trocam emails, falando sobre a vida,
suas dores, pensamentos e sentimentos. Adorei! Buscando mais informações sobre ambas,
encontrei uma entrevista com a Leila Ferreira no site Vivo Mais Saudável e achei interessante
alguns trechos, que compartilho aqui com vocês.

"VMS: Como conseguir ter mais leveza e carregar o "peso" da vida?

Leila Ferreira: Antes de mais nada, é preciso deixar claro que aprender a ser leve não é fácil. Mas é possível. Não a leveza dos livros de ficção ou dos filmes adocicados: essa, felizmente, está fora do nosso alcance, porque, do contrário, viver seria um tédio, uma "sessão da tarde" sem fim.

A leveza a que me refiro é aquela que convive com as angústias, as perdas, as frustrações cotidianas e as dificuldades muitas vezes gigantescas que fazem parte do viver. Ser leve não é se alienar. É ter em conta que a condição humana é precária, a vida é muito complexa, mas, mesmo assim, ou exatamente por isso, precisamos desenvolver mecanismos para reduzir o peso que carregamos dentro de nós.

Andamos obcecados com o peso do corpo - a ele estamos sempre atentos. Mas nossas almas andam obesas. Estamos cada vez mais estressados, ríspidos, intolerantes, ou seja, corremos o risco de ficar com corpos esbeltos e obesidade mórbida de espirito.

VMS: E como reduzir essa carga interior?

Leila Ferreira: Cada um vai achar seu caminho. Mas acho que, qualquer que seja esse caminho, ele começa por uma reflexão, uma tomada de consciência. Temos vivido no piloto automático, sem pausas para refletir, e nessa correria desenfreada é muito fácil adotar comportamentos que nos fazem mal, nos adoecem emocionalmente. 

VMS: O que é felicidade para você?

Leila Ferreira: Acho que a melhor definição de felicidade que eu já vi foi uma frase escrita em um outdoor, em Paris: "A felicidade é a soma das pequenas felicidades". A partir dessa frase, meu conceito mudou. Eu vivia esperando aquela felicidade em letras maiúsculas, com vários pontos de exclamação. 

Hoje acredito numa felicidade discreta, modesta, uma felicidade homeopática, administrada em bolinhas quase imperceptíveis. Um pôr de sol aqui, um café recém-coado ali, uma paixão que nos pega de surpresa, uma amiga que nos faz rir... tudo isso, somado, pode levar à felicidade. Pode, que fique claro. Porque para a felicidade não existem garantias.

VMS: O que deixa a Leila Ferreira em paz?

Leila Ferreira: Antes de mais nada, um bom livro. Quando leio uma história que me apaixona (principalmente os livros policiais), o mundo real deixa de existir e, como o mundo real não anda fácil, "fugir" dele por algumas horas nos acalma. "

Pra quem quiser ler a entrevista inteira é só clicar aqui e a Cris Guerra também
tem um site, aqui
O livro? Ainda estou lendo, mas adorei o estilo e as conversas por email



quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

O que é a Mulher Selvagem?



"E então, o que é a Mulher Selvagem? Do ponto de vista da psicologia arquetípica, bem como pela tradição das contadoras de histórias, ela é a alma feminina. No entanto, ela é mais do que isso. Ela é a origem do feminino. Ela é tudo o que for instintivo, tanto do mundo visível quanto do oculto - ela é a base. Cada uma de nós recebe uma célula refulgente que contém todos os instintos e conhecimentos necessários para a nossa vida.

Ela é a força da vida-morte-vida; é a incubadora. É a intuição, a vidência, é a que escuta com atenção e tem o coração leal. Ela estimula os humanos a continuarem a ser multilíngües: fluentes no linguajar dos sonhos, da paixão, da poesia. Ela sussurra em sonhos noturnos; ela deixa em seu rastro no terreno da alma da mulher um pêlo grosseiro e pegadas lamacentas. Esses sinais enchem as mulheres de vontade de encontrá-la, libertá-la e amá-la.

Ela é idéias, sentimentos, impulsos e recordações. Ela ficou perdida e esquecida por muito, muito tempo. Ela é a fonte, a luz, a noite, a treva e o amanhecer. Ela é o cheiro da lama boa e a perna traseira da raposa. Os pássaros que nos contam segredos pertencem a ela. Ela é a voz que diz, "Por aqui, por aqui".

Ela é quem se enfurece diante da injustiça. Ela e a que gira como uma roda enorme. É a criadora dos ciclos. É à procura dela que saímos de casa. É à procura dela que voltamos para casa. Ela é a raiz estrumada de todas as mulheres. Ela é tudo que nos mantém vivas quando achamos que chegamos ao fim. Ela é a geradora de acordos e idéias pequenas e incipientes. Ela é a mente que nos concebe; nós somos os seus Pensamentos."

Clarissa Pinkola Estés

Do livro que eu estou estudando e AMANDO Mulheres que Correm com os Lobos
Quem tiver mais interesse por esse assunto, temos o blog da querida Cris - Mulheres em Circulo
que faz um trabalho incrível e tem muitas informações sobre o assunto.



quarta-feira, 6 de julho de 2016

Humano, igual a todos


"....Quando nos sentimos superiores (mesmo sem a percepção clara disso)
e algo de ruim acontece, tropeçamos ou caímos , vamos imediatamente 
para o lado oposto, "Eu não sou boa o suficiente" foi o que eu pensei no momento
em que descobri o tumor. Contudo, o câncer  de mama me devolveu para o meu lugar.
O lugar do humano, vulnerável, sensível. O lugar da igualdade.
Nem mais, nem menos; Nem fácil, nem difícil; Nem bonito, nem feio.
Humano, igual a todos. Por meio da positividade, você vive aquela dor, mas não
se entrega a ela. Não se desintegra. E quando supera a tempestade, está pronto
para o próximo passo. Ser positivo é estar presente, hoje, aqui e agora.
Porque a vida está acontecendo no hoje, com tudo o que você é e com
tudo o que lhe pertence."

Trecho do livro O Mapa da felicidade de Heloísa Capelas





domingo, 19 de junho de 2016

Filme: Na Natureza Selvagem


Hoje venho indicar pra vocês um livro e um filme, o Na Natureza Selvagem,
uma história biográfica de Christopher McCandless que tem uma vida aparentemente
boa, mora com seus pais, tem a oportunidade de se formar e continuar seus estudos em uma boa
faculdade, tem uma irmã querida, mas por algum motivo resolve largar tudo isso
e se aventurar para o mundo, deixando para trás todo o seu conforto, dinheiro, carro,
carreira e viver sem nenhuma programação a não ser ter o seu destino final o Alasca.

Christopher, não pretende ser encontrado pela sua família, não deixa rastros, nem mantem
contato. E ao longo de sua caminhada, encontra pessoas especiais, mas ainda
assim mantem seu modo de viver. Nem dinheiro Christopher quer. 



O filme, que também é um livro, mostra a jornada de autoconhecimento de um jovem
que vai contra todo o sistema. E nos leva a vários questionamentos.
É preciso ir contra tudo e todos? Ou realmente somos todos produtos de uma sociedade?
Precisamos de pessoas para viver? Ou melhor viver sozinho sem qualquer tipo de apego?
Toda escolha tem a sua consequência. 

A trilha sonora é maravilhosa, toda do cantor Eddie Vedder (Vocalista da banda de Rock Pearl Jam)

A fotografia é incrível e o filme todo é cheio de frases para refletirmos.

Uma vida mansa e isolada no interior, com a possibilidade de ser útil a quem é fácil ser bom, pessoas que não estão acostumadas a ser servidas. E trabalhar com algo que pode ser útil. Além de descansar, natureza, livros, música, amar seu próximo. Essa é a minha ideia de felicidade. E, então, acima de tudo, você como parceira e, quem sabe, filhos. O que mais o coração de um homem pode desejar?

Chris avaliava a si mesmo e as pessoas ao redor com um código moral tremendamente rigoroso. Ele se arriscava a tomar um caminho extremamente solitário, mas achou companhia nos personagens dos livros que amava, de escritores como Tolstoi, Jack London e Thoreau. Ele sabia citar suas palavras em qualquer ocasião e sempre o fazia.

O amor? Não sei! Ele nos prende, também!
Sabe o que eu acho?
Mais que o amor, o dinheiro, a fé, a fama, a beleza me dêem a verdade.
A verdade nos torna livre e deixa as pessoas livres!

Eu amei e recomendo.
Tem disponível no Nextflix! 











quinta-feira, 26 de maio de 2016

Livro: Grande Magia


Das últimas boas leituras que li, tenho para indicar o livro 
da Elizabeth Gilbert, Grande Magia. Pra quem não se recorda ou não sabe
ela é autora do livro Comer, Rezar e Amar que virou filme com a Julia Roberts.

O livro fala sobre a vida criativa. de uma maneira muito gostosa
e simples, como podemos viver motivados pela curiosidade e não deixarmos
o medo nos envolver tanto. Aqui não há receitas prontas, a simplicidade é a chave do negócio.
É estar atento as suas intuições, aos seus sonhos, se preparar para receber o melhor da vida
e claro acreditar que merecemos o melhor da vida. 
Elizabeth é muita clara ao dizer que todos os dias há novas e maravilhosas ideias
á procura de colaboradores humanos. E aí nos vem a pergunta: Você, você mesmo
que está lendo esse post, está preparado para novas ideias? Está preparado para realizar
seus sonhos e desejos? Está disponível para o que a vida pode lhe trazer?

Partindo do obvio, se você não estiver preparado e se achar merecedor a vida
irá procurar quem esteja. Simples assim ou não, não é mesmo?
Muitas vezes somos sabotadores de nós mesmos.

No fim entendemos que só depende de nós mesmos ter ou não uma vida criativa.
Mas não pense que mesmo estando preparado, a vida será apenas coisas boas.
O equilíbrio faz parte da vida, com seus altos e baixos, mas aí que entra a vida criativa.
Como você irá lidar com esses altos e baixos? O que irá tirar desses momentos?

Aqui a Liz, conta suas experiências e de pessoas próximas o que faz a leitura
ser prazerosa e sem aquela mundo cor-de-rosa onde tudo na vida do outro acontece 
de forma fácil e somente com sucesso.

Quer sucesso? Aprenda a lidar com o fracasso. O problema é que desistimos
exatamente quando a coisa está ficando interessante. Quando o fracasso está ali dando as caras.

Amei o livro, está entre meus favoritos e terminei cheia de anotações.

Termino com uma frase no mínimo interessante da Liz, no livro.

"Tudo estava em seu devido lugar - na mais perfeita ordem e definitivamente resolvido.
Acontece que não existe ordem perfeita e nem nada é definitivo"

Recomendo! 




domingo, 1 de maio de 2016

Faça alguma coisa. Qualquer coisa.


"Vá passear com o cachorro, catar todo o lixo que encontrar na rua em frente
a sua casa, vá passear de novo com o cachorro,
fazer uma torta de pêssego, pintar umas pedrinhas com esmalte colorido
e colocá-las em uma pilha.
Você pode achar que isso é procrastinação, mas, com a intenção
certa, não é, é movimento. E qualquer movimento é melhor do que a inércia,
pois a inspiração sempre está atraída para o movimento.
Então acene os braços. Faça alguma coisa. Produza alguma coisa.
Qualquer coisa".

Do livro Grande Magia de Elizabeth Gilber 



sexta-feira, 15 de abril de 2016

Livro: Sal


Essa semana terminei mais uma leitura, dessa vez da autora de A casa das Sete Mulheres,
Leticia Wierzchowski, primeiro livro que leio dela.
Sal, conta a sobre a vida da família Godoy, desde o início de namoro de Cecília
com Ivan, passando pelo nascimento de seus 6 filhos. 
Uma família que poderia ser a minha, a sua, com problema reais, mágoas, paixões,
raivas, amores, nascimentos, perdas. filhos crescendo e indo embora.
A família Godoy vive na ilha La Duiva, com um farol muito especial para essa
família, uma espécie de âncora.

"Mas, de fato, um coração, qualquer coração, deixa de bater um dia. Eu preciso
realmente aceitar essa ideia. Antes de uma xícara de café, depois de uma sessão de cinema,
na estação de trem, sempre haverá uma hora, um instante último para um coração."



O livro, é contado cada capitulo pelo ponto de vista de alguém da família,
o que faz a leitura ficar mais interessante, uma vez que você a conhece sob todos os pontos
de vista. Os capítulos são curtos e a leitura é toda poética.

"Alguns indivíduos se destacam mais do que os outros. Falam mais alto, fazem mais coisas,
são mais rememoradas pelo que vêm depois, ganham medalhas, estátuas, epitáfios.
Eles vão e vêm, atravessam oceanos, fundam colônias, constroem impérios, derrubam pontes,
ganham guerras e erguem países. Enquanto outros se contentam em passar a vida nebulosa
em frente a escrivaninha fazendo versos ou gastam as pestanas sobre um microscópio
desvendando fungos. Há aqueles que fecham os olhos e meditam por anos sem fim,
e outros que deixam a própria casa para cuidar de crianças órfãs na África.
É a primeira categoria de pessoas que move o mundo, que o empurra pra frente no rumo
desse precipício que chamam de progresso. 
Mas eu sempre me identifiquei com o segundo tipo de gente - os tímidos, os poetas,
os estudiosos, os sonhadores, os abnegados. Aqueles que confortam o mundo,
que o embalam no escuro da noite e curam as suas feridas. As estrelas que brilham em segredo".

Aqui a vida é escolha e cada escolha tem a sua consequência. Assim como a nossa.
Gostei. Recomendo. Brasil mostrando que também temos bons autores.







domingo, 21 de fevereiro de 2016

Os casos de amor de Nathaniel P.


Dos livros que li esse ano, gostei muito do livro da escritora Adelle Waldan, que alias
foi bem aceito nos Estados Unidos, sendo considerado o romance do ano
 chamado Os casos de amor de Nathaniel P.
Nathaniel, é um jovem escritor, chegando aos 30 anos que leva a vida
na superficialidade, conhece uma garota, se encanta por ela e quando as coisas vão
se tornando mais sérias ele pula fora.

Aí você vai dizer, mas o que teria de diferente este livro? 
O livro inteiro é narrado sobe o ponto de vista de Nathaniel, o que torna as coisas
bem mais interessantes, porque sabemos que apesar da luta dos direitos das mulheres em
tempos atuais, nós somos sim diferentes deles, do seu jeito de pensar, de agir, de sentir.
Nathaniel, é um cara inseguro, que sente as coisas mas logo após
 já as esquece e segue em frente.
Sem realmente viver algo verdadeiro e profundo.
Achei os diálogos da escritora bem inteligentes e interessantes. 
E a coisa toda é tão real, que vi situações que eu já vivi, vi situações que já 
presenciei homens próximos fazendo. As mulheres se preocupando com o todo 
e os homens com uma única preocupação do momento.
Os relacionamentos são complexos, nem sempre nos comunicamos de forma
eficiente e prática. Os sentimentos, medos e inseguranças estão sempre envolvidos,
e é sobre isso que fala esse livro. Relações humanas.

Um homem olha para outra mulher na frente de sua parceira. A parceira por sua fez percebe,
e diz que ele estava secando outra mulher, o homem responde com um simples: Você está louca.
Reconhecem a cena? 

"- Não se incomode - disse Hannah - Sei como isso funciona. Você vai me dizer,
ou, melhor ainda, não vai me dizer, vai apenas deixar implícito que estou sendo irracional,
que sou neurótica, ciumenta e impossível.
Afinal de contas, todas as pessoas emancipadas do século XXI não sabem que não
tem nada de mais um homem secar uma mulher? É apenas biologia. Só uma mulher
impossível e ridícula se importaria" ....

Nate, é apenas um cara de uma ficção, mas nos Estados Unidos, as mulheres
passaram a usar como adjetivo, para definir homens desse tipo.

Dá para tirar boas reflexões sobre homens e mulheres.

"- A coisa é que Hannah parece legal, tipo alguém que você poderia gostar de verdade.
Em geral você escolhe as mulheres erradas. Vê uma bonita e arranja um motivo
para achá-la interessante. Então, quando não dá certo, você age como se
o problema fosse "as mulheres" ou "os relacionamentos", em vez da mulher que você escolheu..."

Adelle Waldman

Recomendo! 







segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Livro: Enfim,30


Nessas férias eu li o livro Enfim, 30 da Jana Rosa e Camila Fremder. 
O livro muito legal por sinal, fala sobre alguns assuntos polêmicos para essa idade como:
Aos 30 você já se encontrou profissionalmente? Existe mesmo um relógio biológico em toda
mulher? É hora de casar? Amizades mudam? 

Eu adorei o livro, com muito humor a Jana e a Camila, falam sobre coisas 
que eu tenho certeza que você vai se identificar (eu, pelo menos nessa fase dos 30 me identifiquei) . De corpo a amor, elas vão tirando um pouco desses TEM QUE, que a sociedade nos coloca.
E o mais legal é que elas em todos seus tópicos, trazem uma opinião de um especialista,
como ginecologista, nutricionista para mostrar que sim, algumas coisas não funciona pra todo mundo.
Cada um é cada um. 

Tem ainda uma listinha dos piores conselhos conselho que você pode ouvir aos 30 como:
- Não tente uma nova profissão
- Quando você encontrar alguém namorado/marido vai ser feliz
- Se você emagrecer um pouco vai ficar bonita
- Você só vai conhecer o amor verdadeiro quando for mãe
- Tem uns sapos que a gente tem que engolir, ué, normal
- Nada pior do que ficar sozinha


E listinha de bons conselhos:
- Se você se sente infeliz na sua profissão, mude de emprego, e se não melhorar, tente uma nova profissão. Comece a estudar.
- Engravide só se você quiser.
- Seja feliz com você mesma, estando solteira, casada, divorciada, viúva.
- Você vai ficar bonita quando se sentir bonita.
- Case se quiser, se não quiser não case. More junto se quiser, se não quiser, não more junto.
- Fale não sempre que quiser falar não. Aprenda a falar não. Falar não é libertador.
- Não tenha medo de ficar sozinha
- Não mude seu jeito para agradar ninguém.
(Só algumas ok pessoal! Tem muitas outras pra vocês lá no livro).

Elas ainda fazem uma comparação muito interessante da crise dos 40 anos com a dos 30,
e também como algumas situações são muito melhores aos 30 do que quando éramos mais novas.
E pra finalizar, vários profissionais que só alcançaram o sucesso após os 30 e poucos anos.

Interessante no mínimo não? Vale a pena, mesmo que você só tenha 20 e poucos anos.
Já vai se preparando para quebrar alguns paradigmas. 





quarta-feira, 18 de novembro de 2015

O Jardim Secreto de Eliza


O livro que venho indicar hoje, não é nenhum lançamento, mas vale tanto a pena
que resolvi compartilhar. Esse livro é para aqueles que gostam
de histórias que são contadas bem devagar, misturando passado, presente e futuro.
O Jardim Secreto de Eliza, conta a vida de 3 mulheres em épocas bem diferentes.

Eliza Makepeace, 1900 uma escritora de contos infantis, que perdeu sua mãe ainda muito jovem
e vive com a família de seu tio, uma família com um passado amaldiçoado.
 Desde criança é diferente, tem sua própria opinião,
e conta histórias como ninguém.

Nell O'Connor, 1970 vive feliz com sua família que ama, até a idade adulta, 
quando seu adorável pai, conta que ela não é sua filha biológica. 
Diz que a encontrou sozinha em um navio vindo da Inglaterra.
Ninguém nunca a procurou, e ela só tinha uma mala em mãos e um livro de histórias
lindamente ilustrado de uma escritora que ela se recorda chamar Autora. 
Nell, a partir daí se sente sem chão e resolve descobrir sua verdadeira identidade. 

Cassandra, 2005 mora na Austrália e  perde sua querida vó, com quem sua mãe
 a deixou em uma tarde e nunca mais a foi buscar. 
 Sua avó sempre foi um mulher muito discreta, e no testamento
deixa a Cassandra um chalé de herança na Inglaterra, que ninguém nunca soube de sua existência.
Cabe a Cassandra entender o porque a avó nunca lhe contou nada. 

3 mulheres, várias perguntas. Kate Morton a escritora do livro tem uma linha gótica,
tudo é contado sem pressa, fazendo você se questionar sobre várias questões, 
se tornar intima de seus personagens, conhecendo suas personalidades. 
Os seus personagens são pessoas reais, com muito orgulho, amor, inveja, loucura,
medo...Não é um lindo romance. É uma história de vida, contada sem flores.

Eu amei o livro, é bem o tipo de leitura que gosto. Que muito lembra
as irmãs Bronte. Já ouvi dizer que os outros livros de Kate, são tão bons quanto.
Estou doida para ler outros.

Recomendo!






quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Minhas últimas compras literárias


Ando cansada ultimamente, PRECISO de férias, e meus filmes e leituras tem sido
aqueles sem suaves sabe, tipo comédia romântica, algo que não
preciso pensar, só relaxar. Então comprei 4 livros baratinhos do estilo: 

O Projeto Rosie 

Que eu já estou lendo, e em breve irá virar filme com a atriz Jennifer Lawrence (ganhadora do Oscar)
e atriz do filme O lado bom da Vida. Don é um neurótico e metódico. Ele tem horário pra tudo,
dias certo para cozinhar determinadas coisas, cronometra todos os minutos da sua vida,
mas sua vida amorosa é nula. Então ele resolve adotar um questionário e entregar a várias
mulheres das mais diversas maneiras para encontrar a mulher perfeita, aquela
que tenha os mesmos hábitos, as mesmas escolhas. Até que aparece Rosie e adivinha?
Não tem nada parecido com o cara. Clichê? Muito. Mas bem engraçado até agora.

Uma curva no tempo 

Rachel sofre um acidente, um grave acidente que leva a vida do seu amigo. Ela então
vê sua vida desmoronar. De repente, tudo se transforma, e ela se vê em uma vida perfeita. 
Duas versões da mesma vida. Qual é a real? O que aconteceu na verdade?
Temos uma segunda chance? Fiquei curiosa para descobrir.

Mosquitolândia 

Mim, é uma adolescente de 16 anos que enfrenta o divórcio dos pais. Mora com ele 
e a madrasta mas não se encontra, não consegue se encaixar.
Ao descobrir que sua mãe está doente, resolve pegar sua mochila
enfrentar uma viagem sozinha até a casa de sua mãe. Mas Mim sofre de depressão 
e de loucura. Durante a viagem, a garota conhece pessoas maravilhosas.
Mim, vai se conhecendo, percebendo que nem sempre a vida é justa.

"Sou uma coleção de esquisitices, um circo de neurônios e elétrons: meu coração é o dono do circo; minha alma, o trapezista, e o mundo, minha plateia. Parece estranho porque é estranho, e é estranho porque sou estranha."

Melhor que Chocolate, uma história sobre Amor, Paris e Teimosia 

A gente, eu compraria só pela capa e subtitulo hahahahaha.
Amor, Paris e Teimosia? 

Cade Corey é uma jovem executiva que cuida do negócio bilionário de chocolate da família, uma empresa popular nos Estados Unidos. Ela sonha em construir uma linha premium de seus produtos, e, como boa conhecedora do seu negócio, sabe que encontrará o chocolate perfeito em Paris. Na verdade, o chocolate perfeito está, mais especificamente, nas mãos igualmente perfeitas de Sylvain Marquis, o melhor chocolatier da cidade. O problema é que Sylvain se recusa a associar sua arte a uma grande empresa que só pensa em destruir sua técnica para reproduzi-la em grande escala. Isso para ele é um insulto, e não uma proposta! Contudo, embora o francês jure que está em paz para tocar a vida, aquela americana teimosa não lhe sai da cabeça. E Cade sente o mesmo: adoraria simplesmente fechar negócio com outro especialista parisiense, entretanto, não consegue esquecer os olhos cortantes de Sylvain e sua personalidade arrogante, porém tão viciante quanto seus doces. Paris está prestes a ficar pequena para o que existe entre eles.

Já leram algum?












segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Meus desacontecimentos


Minha última leitura (que durou apenas 2 dias) é um livro da premiada
jornalista, escritora e documentarista Eliane Brum.
Eliane pra quem não a conhece, trabalhou durante anos como colunista
da revista Época. Nesse livro Meus desacontecimentos, Eliane
de uma maneira livre, escreve sobre ela mesma, sua família, seus pensamentos.
O livro é curtinho (uma pena), mas intenso. Tenho costume de marcar com um
post-it partes de livros que gosto e esse saiu quase todo marcado.
Eliane escreve de uma maneira muito profunda, daquelas que fazem a gente refletir, sabe.
Apesar de intensa e muitas vezes, desconcertantes, eu achei que a leitura me prendeu.
Fiquei com vontade de ler outros livros dela como: A menina quebrada e Umas duas. 

Algumas frases para dar um gostinho a vocês:

"Desde o início o mundo doeu em mim. Dentro, mas também fora."

"Ser é perder-se ...(....) Há realidades que só a ficção suporta. Precisam ser inventadas para
ser contadas."

"Somos igualmente diferentes, a única desigualdade que nos iguala. A singularidade do que sou,
só eu sou. A singularidade do que é você, só você é. O que deixarmos de criar será
uma ausência no mundo. Uma existência perdida - ou desperdiçada - faz um rasgo
no tecido invisível da história." 

"Acordei muito cedo, com a sensação de que minha alma pesava tanto que a qualquer 
momento eu seria puxada para o centro da Terra, tragada pela força da gravidade.
Olhei pela janela e vi a chuva fina pousando com delicadeza desperdiçada 
sobre a cidade feia que ainda dormia. Eu queria atravessar a janela e me misturar á chuva.
Pressenti que, se não fizesse algo radical, me partiria nas pedras da rua.
Peguei uma caneta e um papel e comecei a escrever...." 

"Eu quase me desmancho.Quase. Minha força é, agora eu sei, saber-me quebrada".

Leiam, vale muito a pena!





quarta-feira, 22 de julho de 2015

Por uma vida mais Doce


Hoje, minha indicação de livro, é um livro bem doce. 
Na verdade é um livro de receitas, lindo, acho que o mais lindo que já vi!
É o Por uma vida mais Doce da Danielle Noce. 
A Dani é uma confeiteira, youtuber bem famosa na internet alias, que fez
seu primeiro livro recentemente. De receitas fáceis a mais elaboradas, drinks,
o livro é lindo, cheio de fotografias, além de folha de adesivos e espaço para você 
escrever a sua receita de família. 


Pra quem tiver interesse, a Dani tem um blog e canal no Youtube, com seu tão querido como ela,
marido, o Paulo. Além de fofa, estilosa, a Dani ainda tem uma cozinha dos sonhos.
Ah, e os casal é divertidíssimo, vale as boas risadas. 


Quando comprei meu livro, logo no seu lançamento, o recebi autografado pela Dani.
E me parece que ela irá ter um segundo livro.
Vale pra quem gosta de cozinhar, pra quem quer começar e pra quem ama a Dani.












sábado, 13 de junho de 2015

Leitura da vez - Blogagem Coletiva


Entrando na brincadeira proposta pela querida Ana Paula Amaral e parceria de outra querida
(Gratidão a esse mundo de blogs que só faz conhecermos gente do bem) Tina, compartilho 
uma leitura agradável que tive (ok, faz um bom tempo atrás, mas livros bons não envelhecem)
da escritora Philippa Gregory. A Princesa Leal é um livro incrível sobre Catarina de Aragão
primeira esposa do Rei Henrique VIII que nos conta sua história, desde a infância
até o episódio com Ana Bolena. Cataria aqui retratada é uma mulher incrível, corajosa,
controlada e decidida. Sofreu todos os desafios de sua época, mas nunca desiste de seus objetivos.
Enfrentou uma guerra com coragem e dela saiu com a cabeça erguida.
Ao longo do livro, vamos tomando consciência de quanto Catarina cresce, chegando a
questionar a maneira como seus pais conduziam suas vidas.

Pra quem gosta de romance histórico todos os livros dessa escritora Philippa Gregory
são verdadeiros encantos. A escritora é Ph.D em literatura do século 18, e tem uma série
de outros livros como A irmã de Ana Bolena que virou até filme com o título de A Outra. 

Vale muito a pena a leitura!

Meninas, um beijo a vocês!